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A BÍBLIA EXPLICA:
Por ser a Bíblia Sagrada o livro eleito como a "Infalível Palavra de Deus" por todos os cristãos e até mesmo por algumas correntes não cristãs, a estaremos usando aqui para confirmar os assuntos abordados.
Estaremos usando a versão ACF "Almeida Corrigida Fiel".

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O DIVÓRCIO

(Publicação:10/01/2015)

RELACIONAMENTO CONJUGAL

As pessoas sempre tiveram problemas com relacionamentos, e isto em todas as áreas da atividade humana. Estaremos abordando neste estudo o tema "divórcio" do ponto de vista bíblico, o qual tem trazido dores e pesares aos "cônjuges", aos filhos e aos familiares em geral.

Em se tratando de pessoas cristãs, que procuram ter uma vida moldada conforme a Bíblia, o problema do divórcio tem se tornado ainda mais doloroso, pois uma vez o divórcio consumado, ficam as questões:
Os divorciados, ele ou ela, podem se casar novamente com outros cônjuges?
A igreja deverá ou não aceitá-los como membros?
Eles podem participar da Santa Ceia?
Eles podem exercer cargos eclesiásticos?
Aqueles que tentam um novo relacionamento deverão ser rejeitados?
Estão em pecado de adultério?

Para alguns nem há questionamentos. Estão em pecado em pronto. São adúlteros e não há o que discutir. Tal conceito, partindo de uma liderança cristã, é preocupante.

Antes de tudo, temos que ter em mente que o casamento é uma instituição divina, e como tal deverá ser honrado. Nossa posição é terminantemente contra o divórcio. A própria palavra "divórcio" deverá soar para nós como palavra de baixo calão, indecorosa, palavrão mesmo. Entre os casais cristãos tal palavra deverá ser evitada, e até mesmo nunca ser pronunciada, nem por chocarrice.

Um casamento ideal, é como uma banqueta de três pernas. Ainda que o piso seja irregular, uma banqueta de três pernas apóia-se sempre firmemente, sem mancar. Como uma banqueta de três pernas, um casamento também deve estar apoiado nos três tipos de amor. Eros, Fileo e Ágape.
- Eros é o amor que envolve atração física, a “paixão” entre casais. O Eros sozinho, é egoísta, é temporário e comumente tem uma vida útil passageira.
- Fileo é o amor entre amigos, familiares, colegas. O Fileo produz a amizade, o companheirismo, a parceria, a sinceridade, a alegria de estar perto, o diálogo.
- Ágape é o amor maior, e é o que mantém a base sólida. Se pelo menos o ágape permanecer nos corações dos cônjuges, provavelmente a união permanecerá, e como o ágape é o amor cristão, fica difícil explicar o divórcio entre cristãos.

Ágape é também o amor de Deus pela criação. Este é o amor que perdoa, que não arde em ciúme, que é paciente, que é benigno e não faz julgamentos prévios. É o ágape que faz com que o cristão seja capaz de amar os inimigos.


O QUE A BÍBLIA NOS DIZ SOBRE DIVÓRCIO?

Sobre o que hoje chamamos de "Divórcio", a Bíblia não nos diz nada.

Os textos bíblicos que abordam o assunto "divórcio", falam de um tipo de divórcio que em nada se parece com aquilo que hoje se chama "divórcio". Podemos até dizer que ainda que seja usada a palavra "divórcio", os textos estão falando de outra coisa.

Não se tratava da separação de um casal. Marido para um lado e esposa para outro.
O marido, e apenas ele, dispensava a esposa, devolvendo-a para os seus pais ou simplesmente mandando-a embora de casa. Ele ficava tranqüilo com as outras esposas que tinha, mais algumas concubinas, e os filhos, que eram propriedades dele.

Os textos bíblicos abaixo falam deste tipo de divórcio, que em absolutamente nada se parece com o que se vive na sociedade atual, em que a maioria dos divórcios é pedido pelas esposas.

No primeiro século da era cristã, e também antes, havia casos da mulher deixar o marido, isto tanto entre os judeus como também entre os gentios, mas para isto o vocábulo "divórcio" não era aplicado. Por exemplo:
Lucas: 10.12 - E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.
1Cor: 7.13 - E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe.

Nos dando a entender que havia casos em que a mulher deixava o marido.

Ainda, no texto de 1Coríntios acima, Paulo não nomeia como divórcio esse tipo de separação. Vejamos:
13 E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe.
14 Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos.
15 Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.
16 Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?
Neste texto Paulo consente que se um dos cônjuges não for da fé, e quiser se apartar por isso, que o faça. Ele não usou o termo "divórcio".
17 E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas.
18 É alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? Não se circuncide.
Neste versículo 18 o termo pode também ser aplicado para outras situações.

A expressão "divórcio" vem do grego "apolio" que significa "destruir". (Apolion = Destruidor). Se um casal apenas se separar, o vínculo continua e não podem casar-se novamente. É necessário então destruir o vínculo para que ambos fiquem livres.
Ficou claro? Não precisamos seguir leis judaicas do AT tornando o mal do divórcio ainda maior nos meios cristãos.

Nos dias de hoje, o texto bíblico que está sendo equivocadamente aplicado para esse assunto é:
Mateus 19 com repetição em Marcos 10.
Mateus 19
1 E ACONTECEU que, concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galiléia, e dirigiu-se aos confins da Judéia, além do Jordão;
2 E seguiram-no grandes multidões, e curou-as ali.
3 Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
4 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,
5 E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7 Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
8 Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
(No princípio aqui se refere a Adão e Eva, antes do pecado. Jesus está falando do "Excelente").
9 Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
10 Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.
11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
(Quem? )
12 Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.

Considerações sobre o texto de Mateus 19.
Jesus não estava assentado, calmamente, ensinando os seus discípulos.
Os fariseus levantaram uma contenda acalorada no intuito de incriminá-lO. Isto fez com que as respostas de Jesus fossem duras e extremas, para mostrar o quanto os fariseus estavam longe do excelente proposto por Deus.
Vejam a expressão "...não tendes lido...", ou seja, "Vocês sabem como é! Está escrito lá! Porque me perguntam? e em seguida Jesus aprofunda-se no lado espiritual da questão, e ainda questionando-os, para confundi-los, usa o texto... Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?

Essa Palavra "serão dois numa só carne" adentra profundamente o espiritual, e sobre ele, Paulo nos explica assim: Efésios: 5 - 31 - Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. 32 - Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.

Neste texto do capítulo 19 do evangelho de Mateus, percebemos que os fariseus queriam um assunto longo sobre uma questão que sempre foi polêmica, na expectativa de pegá-lO em alguma contradição. Vendo que Jesus levou o assunto para dentro do âmago da Palavra Escrita, eles perderam a seqüência de questões e já finalizaram com a pergunta: "Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?", o que abriu a oportunidade para Jesus ir de novo a carga e voltar ao ataque "Pela dureza de vossos corações", disse Ele, e isto pôs fim a discussão.
Mais tarde, os seus discípulos que a tudo assistiram, ingenuamente abordam esse assunto, para os quais Jesus deu respostas evasivas para não magoá-los e para não confundi-los ainda mais. Exemplo:
Mat.19.11 - Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
Quem então? Provavelmente somente para aqueles que compreendem o sentido de Igreja e Reino, na qualidade de esposa.
12 Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.
Bem, isto fica meio no ar. Nem os discípulos entenderam isto.

Então, além dos textos de Mateus:19 e Marcos:10 não serem pertinentes para a nossa época e cultura, as circunstancias nas quais foram expressos não foram as ideais para um ensinamento rabínico.

O texto em Marcos.10 é o mesmo. Vejamos.
Marcos 10
1 E, LEVANTANDO-SE dali, foi para os termos da Judéia, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno dele; e tornou a ensiná-los, como tinha por costume.
2 E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher?
3 Mas ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés?
4 E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar.
5 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento;
6 Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
7 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,
8 E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.
9 Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
10 E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo.
11 E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela.
12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.


SEM HIPOCRISIAS!

A narrativa a seguir, bate de frente com uma linha de interpretação bíblica humanista, praticada pelas sociedades secretas e pelos calvinistas, largamente divulgada e pregada em nossas igrejas. Mas, vamos em frente. O que nos interessa são as verdades bíblicas.

Para todas as obras que praticamos nesta vida, está estabelecido um grau de aprovação ou reprovação. Podemos dizer que vai do "péssimo", passando pelo ruim, regular, bom, ótimo podendo chegar ao excelente.

Deus sempre nos propôs o "excelente".

No caso de um relacionamento conjugal, o "excelente" é que os nubentes casem-se virgens. Ele guarda-se para ela e ela guarda-se para ele até o casamento, e uma vez casados, que vivam um para o outro até que a morte os separe. Isto é o "excelente". Quando dizemos "virgens" estamos nos referindo a virgens mesmo, na carne e na mente. Quaisquer desejos, masturbações ou intenções na área do sexo, já quebram a virgindade, se não na carne, na mente. Jesus disse: Mat. 05.28 - Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
E como não pode haver um adúltero virgem, é certo que a grande maioria das pessoas está muito longe do excelente, até mesmo aqueles que julgam e condenam o divórcio e excluem os divorciados.


O QUE "FORMALIZA ou CONCRETIZA" UM CASAMENTO?

Enfim, o que realmente concretiza, ou formaliza um casamento?
Seria a documentação do cartório civil?
Seria o nascimento dos filhos?
Seria o primeiro ato sexual?
Seria morar ou ficar com o namorado(a) por uma noite? Uma semana? Um ano?
Seria a cerimônia na Igreja?
Intrigante, Não?
-Se a resposta for o "cartório civil", então não temos nada contra o divórcio, pois o mesmo cartório formaliza também o divórcio.
-Se a resposta for o nascimento de filhos, então poderíamos dizer que casais sem filhos não são casados.
-Se a resposta for o primeiro ato sexual então a maioria dos solteiros já se casou e não sabe, e a maioria dos casados, quando se casou oficialmente êles já tinham se casado "n" vezes.
-Se a resposta for morar ou ficar como o namorado(a) também a maioria dos solteiros já se casou e não sabe, e a maioria dos casados idem, idem.
-Se a resposta for a cerimônia na Igreja, esta é a mais séria de todas, porque se estamos falando de uma igreja de Deus, o compromisso é muito mais comprometedor, pois votos e alianças são proferidos diante do ministro de Deus e da congregação.
Ao que tudo indica, o que realmente formaliza um casamento, é quando há um casamento de fato, ou seja, quando a tampa combina com a panela. Quando um completa o outro. Se assim não foi, então não houve nenhum casamento, ainda que tenha havido festas e outras formalidades, e se não houve um casamento de fato, não são cônjuges.


COISAS QUE PRECISAM SER ENTENDIDAS.

Deus, que sempre propôs a excelência, que é o "bem maior", também abre mão da excelência em favor de um "mal menor". Por exemplo: Lemos em Deuteronômio 25:
5 - Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela.
6 - E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel.

Isto chega a parecer uma contra-ordem, pois lemos o seguinte em Levítico 20:
21 - E quando um homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; a nudez de seu irmão descobriu; sem filhos ficarão.

Aí vem a pergunta: É para tomar a mulher do irmão ou não? A resposta é não, conforme Lev.20.21, mas é sim conforme Deut.25.5. Há uma contradição aí? De maneira nenhuma. O que conta são as circunstâncias. Se não consigo viver conforme o "bem maior", vou então viver conforme o "mal menor". Somente um religioso, e apenas religioso, não conseguirá ver sabedoria nisto.

Ocorre que o livro de Deuteronômio foi escrito quase 50 anos depois do Livro de Levítico, e durante esses quase 50 anos muitas coisas aconteceram. Muitos do povo tornaram-se rebeldes, houve muitas guerras com a morte de muitos homens, e conseqüentemente muitas mulheres viúvas. As circunstâncias agora eram outras. Israel precisava multiplicar-se e a lei proposta em Levítico estava na contramão desta realidade. Aprendemos com isto que tais cincunstâncias não estavam previstas e vieram a acontecer devido a infidelidade do povo.

Deus sempre propõe o "excelente", mas na impossibilidade disto, se fizermos o melhor que pudermos será igualmente aceito. É isto que a Bíblia nos passa. Não é difícil de entender!

Há um número considerável de casais que chegam ao excelente. Não temos uma pesquisa sobre isso, mas imaginamos ser uma pequena minoria. E como julgar os que não alcançaram o excelente? Se o próprio Deus tolerou, porque não nós.


AS TOLERÂNCIAS DE DEUS.

Vemos através da história, homens ilustres abrindo mão do "excelente" para não caírem no "péssimo".
Jesus diz em Mat. 19.8 .... mas no principio não foi assim..... referindo-se ao primeiro casal, que em termos de relacionamento conjugal viveram o excelente. (Pecaram em outras áreas), e com o passar do tempo a humanidade foi se enveredando por caminhos diferentes daqueles propostos no princípio, e não puderam viver o "excelente" que Deus tinha proposto.

Exemplos:

Abraão deitando-se com Agar por determinação da própria Sara. Nunca foi repreendido por isso; Abrão não adulterou quando deitou-se com Agar e a engravidou, porque era uma condição legal para aquele povo naquela época.

Ló gerando filhos com suas próprias filhas. Nunca foi repreendido por isso. Foi um erro que acabou bem, gerando dois povos "Amom e Moabe" para os quais Deus tinha os seus propósitos, pois, muitos anos depois, já no tempo de Israel, eles iriam ser vizinhos de Israel. Isto seria muito bom, pois eram povos parentes através do parentesco entre Abrão e Ló. Porem eles não entenderam isto e tornaram-se inimigos.

Jacó com quatro mulheres. Nunca foi repreendido por isso;
Jacó não adulterou quando casou-se com Raquel, mesmo já tendo a Léia.
Jacó não adulterou quando deitou-se Zilpa, serva de Léia e Bila, serva de Raquel.

Lembrar aqui que Abrão, Ló e Jacó viveram antes da Lei de Moisés. As leis e os costumes daquelas culturas davam margem para essas práticas, e com o advento da Lei, isso foi regulamentado.

Davi teve 8 esposas e muitas concubinas. Foi repreendido pelo adultério com Bete-Seba, mas não pela quantidade de esposas e concubinas.
Esposas de Davi:
1Samuel:19.11 - Mical; Filha do rei Saul.
2Samuel:3-2 - Ainoã, jizreelita;
2Samuel:3-3 - Abigail; Viúva de Nabal.
2Samuel:3-3 - Maacá; Princesa de Gesur.
2Samuel:3-4 - Hagite;
2Samuel:3-4 - Abital;
2Samuel:3-5 - Eglá;
1Cronicas:3.5 - Bete-Seba - Viúva de Urias.

Davi já velho e próximo da morte, não conseguia aquecer-se, então lhe trouxeram uma linda jovem chamada Abisag para cuidar dele e "aquecê-lo" (1Reis:1.3).
Nunca foi repreendido por isso;
Davi adulterou com Bete-Seba, porque aquilo era ilegal. Ela tinha um vínculo com Urias, quando ainda vivo.
Depois da morte de Urias, Davi casou-se com ela, alem das outras 7 que já tinha, e mesmo coabitando com Bete-Seba e mais 7 esposas, e mais de uma dezena de concubinas, e mais a Abisag, não foi adultério, porque era legal para aquela cultura e época.

O concubinato na época era socialmente correto, pois a mulher viúva não tinha nenhum tipo de assistência, e como isto era legal, ela podia ter uma vida digna.

Salomão casou-se com 700 mulheres e teve 300 concubinas. Foi repreendido por amar mulheres estrangeiras e não pela quantidade;

E todos estes fatos, muito longe do "excelente" proposto no princípio, nunca foram questionados pelas Escrituras Sagradas, nem no Antigo e nem no Novo Testamento. Alguns dos nomes citados até figuram na chamada "galeria dos heróis da fé".

Alguns males são necessários, para que não venha ocorrer outros males ainda maiores.


E A BÍBLIA COM ISSO?

O objetivo maior da Palavra Escrita não é punir, mas disciplinar uma sociedade visando o bem geral, quer no âmbito coletivo, quer no âmbito individual. Sobretudo, a Bíblia é para nós a revelação de Deus. Ela nos apresenta Deus e os Seus propósitos, Seus atributos, Seu modo de ver e agir. Ela nos mostra a razão das nossas vidas, as nossas origens e nossos destinos, e nos instrui para que tenhamos um caminhar feliz, seguro e vitorioso, de acordo com a proposta divina. É portanto, um livro de instruções e aconselhamentos.

Enquanto para as leis romanas se dizia "dura lex sed lex" (Dura é a lei, mas é a lei), para as "leis" bíblicas se diz: "pois a tua lei é a minha delícia"(Salmo 119.77).

Não é hermeneuticamente correto tomarmos textos bíblicos únicos e transformá-los em lei ou doutrina, sem que se faça antes uma análise mais profunda do contexto onde o texto está inserido.

Antes de tudo, o divórcio nos tempos bíblicos era totalmente diferente dos tempos de hoje, e toda a citação bíblica visava proteger a mulher, que era a grande prejudicada, pois alem de não ficar com a guarda dos filhos, ficava totalmente desamparada, sem recursos de sobrevivência e vulnerável. Era algo que podemos classificar como "perverso". Por isso Jesus cita "pela dureza de vossos corações", ( Mat.19.08 ), pois era realmente necessário um coração duro para expor sua companheira e mãe de seus filhos à uma vida tão cruel. Naquela cultura o pai tinha total autoridade na casa. A mulher e os filhos eram propriedade sua, quase como a terra e o gado (Deut. 5.21). Ele podia até vender suas filhas (Ex.21.7).
Também não havia muitos sentimentos humanitários. Como exemplo, Abraão despediu Agar e o filho. É claro que Abraão e Sara sabiam que ela e o filho jamais sobreviveriam naquele deserto. Somente não morreram pela intervenção de Deus.(Gen. 21.17). Provavelmente eles achavam que estavam até fazendo um bem a Agar, pois despedindo-a estavam lhe dando um tipo de alforria, pois ela era escrava.

As características do divórcio também eram diferentes. O homem dava para a mulher uma carta de divórcio (libelo) e pronto. Era o homem que decidia se queria ou não divorciar-se daquela mulher, e ficar com as outras que possuía. Nunca uma mulher pedia o divórcio, pois ela era propriedade do marido. Hoje, grande parte dos divórcios parte da mulher, o que seria uma total aberração para aquela época, de tal forma que não há nenhuma Palavra Bíblica para tal circunstancia.


CONCEITO DE ADULTÉRIO.

Adulterar é sinônimo de falsificar.

Nós estamos sujeitos a cometermos pecados contra outras pessoas, e estamos sujeitos a cometermos pecados contra Deus, o que é mais grave, mas no cômputo geral tudo será pesado na balança.

Enquanto a idolatria, o queixume, o falar mal das coisas santas são pecados contra Deus, o adultério é um pecado contra outras pessoas. Por isso a expressão de Jesus foi "...adultera contra ela." Isto porque seria um amor falsificado, não verdadeiro, não legítimo.

Se hoje, o casamento entre divorciados é legal para a nossa cultura, porque então nos ater a culturas de outros povos e de outras épocas?
Se Jesus propôs para a igreja o excelente, não foi somente para o caso de vida conjugal, mas também de vida social, quer entre os membros da igreja, quer em família, quer na sociedade onde vivemos. Será que como Igreja, estamos vivendo o excelente?

Se não podemos viver o excelente proposto, é sábio nos apegar ao melhor que pudermos oferecer, ainda que esteja aquém do excelente, ou aquém do ótimo, ou ainda aquém do bom, enfim, o melhor que pudermos oferecer na qualidade de pecadores que somos. Tudo o que nos faltar para o excelente, será compensado pela graça que já nos foi ofertada. Isto também é uma proposta dO Senhor.

Quanto a esse texto bíblico, sua aplicação para a nossa sociedade é totalmente indevida, pois trata-se de um diálogo entre Jesus e os judeus. Ali é Jesus falando para os judeus, cuja cultura e situação religiosa é totalmente diversa do que vivemos hoje. Você pode até discordar, mas veja isto: Quando Jesus falava da parábola do rico e do lázaro, Ele cita: "...tem Moisés e os profetas. Ouçam-nos." Isto era correto para aquela época e lugar, mas não quer dizer que hoje nós temos que nos basear em Moisés e nos profetas. Mesmo porque a lei de Moisés era uma lei nacional, para a nação de Israel, e não para uma corrente religiosa dentro de Israel. Também os profetas, podemos dizer que eram estatais, pois profetizavam para os reis e para a nação como um todo. Os sacerdotes eram estatais. Algo muito diferente da condição atual dos cristãos gentios como nós que vivemos em um país liderado por ateus.

Então, quanto ao texto do rico e do lázaro, se fosse hoje, talvez Jesus dissesse: ...tem os evangelhos, leiam-nos. ou Tem o pastor Walter pregando na internet, acessem! (Porque não?)


ONDE FICAMOS ENTÃO?

Como igreja dos gentios, temos que filtrar sobre o que podemos e o que não podemos adotar como doutrina. Devemos ter toda a Bíblia como exemplos para a nossa vida, mas não podemos adotar como doutrina palavras dirigidas aos judeus especificamente, ou em relação a cultura de quaisquer outros povos.

Na comunidade judaica de hoje, o divórcio é muito raro, mas quando as divergências entre os cônjuges se tornam irreconciliáveis e a vida em comum intolerável, o divórcio é permitido, sem reservas. Ambos podem assumir um novo casamento, após um tempo. Dizem os rabinos que, um lar cheio de amor é um santuário; um lar sem amor é um sacrilégio.

Tem-se como maior mal para os jovens serem criados num lar sem paz e respeito mútuo do que terem de encarar o divórcio dos pais.

Como cristãos, amamo-nos uns aos outros com o "amor fileu" que é o amor fraterno, relacionado à família e aos amigos e também nos amamos com o "amor ágape" que é o amor de Deus, sacrificial e doador.

Um casal cristão, alem de amarem-se com esses dois amores, amam-se ainda com um terceiro amor. É o "eros", que é o amor dos namorados, dos desejos recíprocos.

Se o amor "eros" acabou, como cristãos ainda há os amores "filéu e ágape". Em um coração cristão estes amores nunca acabam. Se acabou também, é melhor rever esse cristianismo. Com certeza estamos falando de pessoas religiosas que pensam que são cristãs, quando na verdade são ímpios.

Para estes não é necessário se estar recitando a Bíblia. Sl.50.16 - Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca?

Mas, se estamos falando com casais realmente cristãos, sejamos sábios. Se ambos querem o divórcio, porque não? Desde que não fique nenhuma raiz de amargura. Enfim, como está faltando o amor "eros", não estão casados de fato.

Porem, se apenas um dos cônjuges deseja o divórcio, não se importando o quanto está ferindo o coração de seu cônjuge, então estamos diante de um casal onde apenas um é cristão e outro não, ou ambos não o são. Neste caso, o divórcio também é inevitável, pois além de não estarem casados de fato, estão vivendo debaixo de um jugo desigual.

Uma coisa é um casal buscar pelo divórcio, após descobrirem que fizeram a opção errada. Ambos plenamente concordes e sem mágoas. Outra coisa é um dos cônjuges rebelar-se e buscar o divórcio unilateralmente, deixando no coração do outro profundas feridas que dificilmente cicatrizarão.

O divórcio é um mal. É um grande mal. Porém em alguns casos, necessário, pelo menos uma vez. Cristãos equilibrados dificilmente errarão nisto uma segunda vez. Mas, se acontecer, creio que as tolerâncias de Deus alcançam isso também, lembrando-nos sempre que lá na consumação dos tempos, haverá um tribunal, onde o critério de julgamento será "obras", como está escrito:
II Coríntios 5:
10 Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

A PALAVRA PARA O ESPOSO É:
Efésios:5.25 -
Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
Colossenses:3.19 -
Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não as trateis asperamente.
Se não estiver fazendo assim , já está em pecado!

A PALAVRA PARA A ESPOSA É:
1Pedro:3.1 -
Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres,
Colossenses:3.18 -
Vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor.
Se não estiver fazendo assim já está em pecado!

Então, se o casal, ou um dos cônjuges não estiver seguindo os conselhos ou ordenanças bíblicas na sua vida conjugal, já está cometendo pecado, pois está violando o que há de mais sagrado, que é a Palavra escrita.


CONCLUSÃO

Diante do acima exposto, se o receio do divórcio é para não cair em pecado, esqueça, porque, se há o litígio já há o pecado. Se há o desamor também já há o pecado. O divórcio será apenas a consumação dos pecados que já existem, e a revelação da incapacidade de ambos de exercerem o amor conforme a Bíblia.

Se os cônjuges não foram capazes de amarem-se, nem com o "eros", nem com o "fileu" e nem com o "ágape", realmente são pessoas desprovidas de sentimentos. Se não foram capazes de amarem-se, estando tão próximas, jamais amarão alguem mais distante. Se não são capazes de amar ao cônjuge, que vêem, jamais amarão a Deus a quem não vêem.

Se um dos cônjuges tiver algum cargo ministerial na igreja, o seu ministério sómente será verdadeiro se a sua vida conjugal for conforme as regras bíblicas, pois ninguém poderá ter um ministério baseado em uma regra que o próprio ministro viola, agravando assim ainda mais o seu pecado.




( Seleção e comentários dos textos bíblicos: Pr. Walter Vaccaro ).

Buscai no livro do SENHOR, e lede;
Isaías 34.16-a.

Estudos Bíblicos
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Data: 19/12/2015 - 22:31:45 Hs.

Pr. Walter comentou:
Para Anônimo.

Veja isto.
Quanto ao assunto "divorcio" sempre foi polêmico.
Há 2.000 anos atraz o assunto já era polêmico, e os fariseus escolheram esse assunto para tentarem pegar Jesus em alguma contradição, extamente por ser um assunto polêmico.

Segundo a Bíblia, a Igreja tem poder de decisões.
O que a igreja ligar na terra será ligado no céu. Foi dito a Pedro e vale para nós também.
Fica difícil para uma igreja liberar o divórcio, devido a maldade reinante na sociedade de hoje. Tal igreja seria taxada de nomes vexatórios.

Antes de tudo. Todos nós somos contra o divórcio, o qual deverá ser evitado a todo o custo.

Mas temos que reconhecer que há casos e casos.

Realmente a Bíblia não nos dá uma diretriz muito segura sobre o assunto, porque o tipo de divórcio abordado pelo fariseus no diálogo com Jesús em nada se parece com o divórcio praticado na sociedade de hoje.
Lá, quando a mulher era despedida, unicamente por decisão do marido, ela saia sem nenhum direito. Não levava nada.
Até os filhos eram propriedade do marido. Era uma situação perversa, porisso Jesús usa a expressão "dureza de coração".

Já nos tempos do novo testamento, aparecem alguns casos da separação ser por iniciativa da mulher, mas são raros.

Entre os gentios, como Corintios, o nome "divorcio" não é usado.

O divorcio ou a separação conjugal sempre foi biblicamente desaconselhada e com certeza há motivos para isso.
Podemos citar pelo menos dois casos:
1 - Para que os filhos tenham exemplos de conduta, e tenham a presença do pai e da mãe.
2 - Para evitar adultério (dos divorciados) e a probalidade de filhos sem pai.

Minha opinião:
Se o caso 1 já foi consumado, e ambos os conjuges são virís, o caso 2 fatalmente ocorrerá. Quer recasem-se ou deixem de recasar-se pois mesmo não tendo um novo relacionamento, a natureza vai reclamar, e Jesus disse que apenas o desejo já caracteriza o adultério.

Então "divórcio" já é sinônimo de adultério.

CONCEITO DE ADULTÉRIO
Daí perguntar-se: Até onde o adultério é tolerado?
ou
O que é adultério?
Adutério é sinônimo de falsificação. Adultério = Falsificação (falsificado = adulterado).
Então um relacionamento conjugal, não é simplesmente uma união de pessoas amigas que buscam companheirismo.
Vai muito mais além. É a união de um homem e uma mulher, reeditando a primeira edição do Éden.
Os três vínculos do amôr têm que estar presentes: EROS, FILEU e ÁGAPE.
EROS: Atração física. Encanto romântico, Desejo viril.
FILEU: Companheirismo, amizade, familia.
ÁGAPE: O amor divino. O desejo de sempre estar perto, para sempre.
Se esse amor não for formado por esses três vínculos então será um amor falso ou "adulterado".
É o adultério.

Acho que podemos entender assim.

No caso de pensar em um novo relacionamento, pense nisso. Tem que ser p´ra sempre.
Um novo desenlace será muito doloroso.

Me perdoe se nas minhas conjecturas fui alem do que devia.

Nós te amamos.

Pr. Walter








Data: 04/09/2013 - 23:15:13 Hs.

Pr. Walter Vaccaro comentou:
Deixe o seu comentário.
Se por algum motivo você não quiser se identificar, pode usar um pseudônimo (apelido).
Participe.


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